HISTÓRICO
A primeira transplantação de medula óssea foi efectuada com sucesso em 1956, remontando a 1973 a primeira transplantação com dador não aparentado. Este facto marcou o começo de uma nova era no tratamento de doentes com diferentes patologias que podem ir desde defeitos genéticos até às doenças oncológicas.
Com este tratamento aumentou a esperança de vida de muitos doentes com leucemia, algumas anemias e outras doenças hereditárias potencialmente fatais.
Para que se possa fazer uma transplantação de medula óssea é contudo necessário que haja identidade a nível genético entre o dador e o receptor.Ou seja, é necessário que sejam iguais num sistema de antigénios tecidulares designados por HLA (do inglês Human Leucocyte Antigens ou antigénios leucocitários humanos, como se diria em português). Acontece contudo que existem 6 antigénios diferentes, cada um com dezenas de variantes, e que se combinam entre si de diferentes maneiras, pelo que a probabilidade de haver um dador igual fora dos familiares é muito difícil.
Actualmente a transplantação de medula óssea é uma prática corrente mas só cerca de 25% dos doentes têm um dador familiar compatível. Restam assim os outros 75% que têm de recorrer a dadores não aparentados. A transplantação de medula óssea com dadores não aparentados aumentou nos doentes a taxa de sobrevivência de 30% para 80%.
Até ao ano de 2003 Portugal dependia quase exclusivamente de dadores vindos de outros países dado que não contávamos com um número de dadores suficiente para podermos ajudar os doentes. Nesse ano, o caso de uma doente foi mediatizado e os meios de comunicação social juntamente com o CEDACE, o IPO de Lisboa, trouxeram este problema a público.
Outros casos de doentes que necessitavam de ajuda noutros locais do país foram também tornados públicos e rapidamente a generosidade da população portuguesa foi demonstrada. Dos 1.377 dadores inscritos em 2002, em Dezembro de 2003 estavam já inscritos 6.133 e hoje são mais de 190 mil, sendo o segundo maior registo da Europa por milhão de habitante e um dos maiores do mundo.
Neste percurso o CEDACE não está só. Deve ser referido o apoio do Ministério da Saúde que suportou o esforço financeiro envolvido neste crescimento. A APCL, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia também percorreu de mãos dadas com o CEDACE este caminho ajudando o CEDACE e os Centros Dadores das mais variadas formas. A APCL financiou tipagens, pagou equipamentos e paga a pessoal que trabalha nos Centros Dadores nas mais variadas actividades, sendo por isso um dos pilares que teve na base do crescimento do nosso Registo, o qual deve ser hoje motivo de orgulho para todos nós e segurança para os doentes.
Para este êxito temos tido muitos parceiros e entre eles devem ser referidos os grupos e associações de Dadores de Sangue que desde a primeira hora nos deram grande apoio, e também grupos e associações de cidadãos anónimos que por todo o país organizaram locais onde os Centros de Dadores iam recrutar mais dadores e que não conseguimos aqui referir.
Mais recentemente, a Associação Inês Botelho, criada em 2008, também se juntou à nossa causa, promovendo a necessidade de recrutamento de mais dadores. Podemos dizer que somos muitos a contribuir para esta causa tão nobre, mas deve aqui ser deixada uma palavra especial para os grandes motores da actividade e esses são os três Centros de Histocompatibilidade, que pela forma como se organizaram e coordenaram e pelo esforço das suas equipas, construíram em conjunto o que é hoje o CEDACE.