Centro de Histocompatibilidade do SUL

FACTO 1

História da Transplantação

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FACTO 2

Sabia que a transplantação é uma das áreas médicas de maior desenvolvimento e uma das que maior impacto social e político têm nos vários sistemas de saúde dos nossos dias?

Actualmente podem ser transplantados órgãos, tecidos e células, contribuindo para salvar a vida a muitos doentes e também para melhorar a qualidade de vida a muitos outros. São transplantados por rotina rins, coração, pâncreas, fígado e mais experimentalmente intestino (ver Urgências). Os tecidos que podem ser transplantados são muito variados e vão desde a pele, membrana amniótica, osso, tendões, válvulas cardíacas, menisco, vasos etc (ver Banco de Tecidos). Transplantam-se também células progenitoras hematopoiéticas para tratamento de várias patologias oncológicas e congénitas (ver CEDACE). A medicina regenerativa abre agora a porta à utilização de células estaminais com os mais variados fins, cardiomiócitos, células nervosas etc. sendo esta uma das áreas de maior crescimento em termos de futuro é já hoje uma realidade de grande impacto.


FACTO 3

Sabia que a escolha do par dador-receptor para transplantação renal a partir de órgãos de dadores cadáver é feita por processo informático, seguindo um algoritmo legal definido?

Este é um processo que decorre da referenciação de um dador cadáver que é feita pelos gabinetes de coordenação (ver ASST). Tem então início um processo em que o dador é estudado para a detecção de marcadores virais e nas suas características imunogenéticas (tipagem HLA, do inglês Human leukocyte antigens). São estas características que uma vez introduzidas no sistema informático vão seleccionar o melhor receptor, tendo ainda em conta outros parâmetros como o tempo em lista de espera, a idade ou a urgência médica, todos eles legalmente estabelecidos.

O computador fornece então a lista dos possíveis receptores para os rins daquele dador cadáver e os técnicos de urgência vão descongelar os soros de cada possível receptor, guardados na nossa Seroteca. Estes soros servem para fazer uma prova cruzada com as células do dador, a fim de excluírem anticorpos que possam causar uma rejeição imediata do enxerto. Uma vez feita a prova cruzada são então comunicados à Unidade de Transplantação onde o doente está inscrito todos os resultados e esta comunica com o doente para que a transplantação possa ocorrer.

Para além da informatização garantir em si mesma a transparência a este processo, todos os passos analíticos e processuais ficam registados.

FACTO 4

Sabia que o termo "alossensibilização" refere-se à resposta imunitária dirigida para antigénios de indivíduos de uma mesma espécie, mas geneticamente diferentes, podendo envolver diferentes células e tecidos consoante o maior ou menor grau de polimorfismo (diferenças genéticas) de cada sistema antigénico?

No homem o sistema antigénico com polimorfismo quase universalmente conhecido por todos é o ABO dos eritrócitos, e sabemos que para se transfundir um doente tem de haver compatibilidade entre dador e receptor.

Em transplantação também temos de procurar a maior compatibilidade, só que num outro sistema diferente:

Em transplantação para além deste sistema ABO eritrocitário há um outro, cujos antigénios se expressam nos leucócitos (células brancas do sangue), e que corresponde aos antigénios de histocompatibilidade. Tal como o nome indica é um sistema que está envolvido na compatibilidade dos tecidos.

Estamos a falar no sistema HLA (do inglês Human Leukocyte Antigens) que é o mais polimórfico de que há conhecimento.

A aloimunização contra os antigénios eritrocitários é bem conhecida principalmente pelas suas implicações transfusão ou na doença hemolítica do recém-nascido entre outras. No caso da alossensibilização contra antigénios HLA, esta é mais desconhecida pois está ligada principalmente à transplantação. No entanto a alossensibilização, ou seja o aparecimento de anticorpos num doente contra antigénios de histocompatibilidade é um fenómeno que pode condicionar a transplantação, quer na sua realização quer no seu sucesso. Se um rim for colocado num receptor que tenha anticorpos em circulação contra os antigénios HLA do dador desse órgão, este é de imediato rejeitado.

Como é que pode ocorrer a alossensibilização anti-HLA?

A alossensibilização anti-HLA ocorre por transfusão de sangue, por transplantação e mesmo pela gravidez. Neste caso a mãe durante a gravidez reconhece os antigénios do filho herdados do pai e responde aos mesmos fazendo anticorpos. Estes têm a barreira placentária que protege o filho, mas permanecem em circulação e deixam memória imunológica. O seu maior impacto pode estar nas áreas da transplantação e da transfusão.

Então é por isso que se faz a prova cruzada no par dador receptor?

Essa é a última prova antes do enxerto que permite ver se no soro do doente há anticorpos específicos para antigénios HLA do dador. Nesse caso coloca-se uma pequena quantidade de soro do doente em contacto com as células do dador, depois junta-se complemento, um soro que se houver ligação dos anticorpos aos antigénios vai matar as células e se estas aparecem mortas e então a reacção é considerada positiva e não podemos fazer o transplante.